terça-feira, 25 de maio de 2010

É possível ter diversão e lazer com pouco dinheiro?


Lazer por definição é o tempo de descanso ou folga do trabalho ou qualquer outra atividade ordinária. Muito se questiona se o entretenimento está relacionado à quantia de dinheiro que uma pessoa possui. Quem tem recursos financeiros pode escolher entre diversas opções de shows, teatros entre outros eventos, e quem não dispõe de tais recursos pode ficar com a sensação de não usufruir desse tempo livre da melhor forma.

Para Suze de Oliveira Piza, professora de Filosofia e de disciplinas eletivas do Núcleo de Formação Cidadã da Universidade Metodista de São Paulo, o maior problema é que no Brasil boa parte da população não tem tempo de se preocupar com entretenimento. “As pessoas têm o lazer como algo secundário. As questões primárias ficam voltadas para assuntos financeiros, políticos e depois vem o social”, declarou.

O professor Mike Featherstone, da Teeside University (Inglaterra) e editor fundador da revista inglesa “Theory, Culture & Society” (Teoria, Cultura e Sociedade), declarou durante o 5º Congresso Mundial de Lazer realizado no ano passado no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, que o tempo livre das pessoas parece cada vez mais colocado em “xeque”. Segundo os registros do evento, para Featherstone, o lazer tornou-se um tempo de consumo. Em busca de mais dinheiro as pessoas deixam de usufruir do tempo livre que dispõem.

Segundo a professora Suze, embora existam opções para entretenimento a baixo custo ou gratuitas, elas não suprem as necessidades das pessoas carentes. “Há uma visão equivocada de que promover eventos gratuitos é a solução. Tais atividades geralmente não valorizam, por exemplo, o próprio espaço da periferia. Elas atendem a públicos específicos e quando muito resolvem parte do problema da falta de lazer por um curto período de tempo”, disse.

Muitas vezes a gente não tem idéia da dificuldade que algumas pessoas têm para simplesmente pegar um ônibus e ir a eventos gratuitos. Não acredito em acomodação das pessoas de baixa renda, mas sim em uma acomodação da classe média ou alta em tomar atitudes para tentar mudar o quadro social brasileiro”, acrescentou a professora.

Existem políticas públicas que buscam tornar o lazer acessível a todos e oferecer diversão de boa qualidade às pessoas com menor renda. No município de São Paulo, por exemplo, de acordo com o Secretário de Esportes e Lazer Municipal, Heraldo Corrêa, cerca de 400 mil pessoas são atendidas todos os meses pelos programas de esporte e lazer da Prefeitura. “A prática de esportes é essencial para a inclusão social. Investir em esportes é sem dúvida nenhuma a melhor forma de inserir os cidadãos na sociedade. É uma forma de levar dignidade à população”, declarou o secretário. Além disso, em São Paulo existem sessões de cinema, teatros, shows musicais a preços populares ou com entrada franca.

Na cidade de São Bernardo do Campo (SP) há a promoção de shows, apresentações das bandas e orquestras filarmônicas municipais, além de uma programação gratuita de teatro para adultos e crianças. Segundo o Departamento de Comunicação da Prefeitura da cidade, além desses eventos também são realizadas oficinas sócio-culturais para várias faixas etárias, como: teatro, artes plásticas, pintura, violão e história em quadrinhos.

Para o estudante de Engenharia Felipe Santiago, 21 anos, é possível se divertir sem ter muito dinheiro. "Concordo que existam opções de lazer em que os preços são caros. Mas também há muita coisa que dá para fazer sem ter dinheiro. É só ir atrás de opções baratas”, afirmou. Carlos João Riva, 24 anos, estudante de Publicidade e Propaganda, acredita que o dinheiro apenas facilita um pouco na hora de se divertir. “Quem tem dinheiro tem mais opções”, disse.

Lívia Martins

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